
Paula Goulart – Associada do IPB-BA
Na quinta-feira, 14 de junho, Marcelo Veras lançou seu livro Selfie, logo existo, no qual recorta pequenos textos escritos por ele ao longo de sua experiência nas redes sociais e fotografias colecionadas durante esse período.
Veras chama a atenção para o momento atual como resultado de um processo de ‘implosão da intimidade’, o que nas palavras do autor representa a autonomização do objeto olhar como elemento presente a todo tempo, testemunhando desde os atos mais banais até os mais íntimos de cada um, sem deixar muito sob o véu da fantasia.
Dessa forma, saímos do campo do desejo e entramos no campo das pulsões através da virtualização das relações, que se tornam líquidas ou mesmo ‘deletáveis’, transformando a internet em um espaço segregacionista em que imperam discursos de ódio.
Ao longo de seu livro, Veras debate sobre as redes sociais como espaço em que a vergonha não funciona como signo, liberando os sujeitos da culpabilidade e escancarando o mal e a obscenidade em um terror composto por vozes e imagens.
A leitura do livro lança luz sobre questões cotidianas que surgem na clínica psicanalítica e nos convida a uma reflexão atual sobre o tema de nossa Jornada, apontando onde o íntimo se reúne ao publicável nas redes, revelando o encontro do sujeito com o olhar “êxtimo” na tela de seu celular.